Textos


Enfim aqueles dias indecisos, aquelas manhãs
Sempre arrastadas em nebuloso brilho...
Foi-se a estação que ainda ontem era luz,
Quedam-se meus olhos no anoitecer das almas.

De tudo restaram palavras de outono,
Folhas cor de caramelo, sofridas e secas...
Nosso amanhã é um animal ferido,
Fera indefesa que antecipa e espreita.

No solo estéril planto minha indiferença,
Na cama imensa enlaço minha letargia...
Acabou-se a estação breve das esperanças,
Migraram as aves da indizível alegria.

E aqui estou eu, silente e pasmo,
Testemunhando o inverno das minhas intenções...
Nas mãos guardo a semente antiga
Dos sonhos sonhados em incontáveis verões.

 
Quem sabe, um dia, talvez já senhor do tempo,
Retorne a alma ao prumo das ambições...
É finda a estação, silenciosos os campos,
Que ora verdejam em cinzenta solidão.

 

alexandre gazineo
Enviado por alexandre gazineo em 18/08/2008
Alterado em 10/05/2013
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Alexandre Gazineo (www.alexandregazineo.com)). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários